Alcaraz Culpa Bolas Após Queda Precoce em Xangai

Alcaraz Culpa Bolas Após Queda Precoce em Xangai

Carlos Alcaraz caiu nas oitavas de final do Masters 1000 de Xangai diante do belga Zizou Bergs, em um resultado que surpreendeu pelo favoritismo do espanhol. Derrotado por 7/5 e 7-6 (7-4), o número 2 do mundo voltou a questionar as bolas utilizadas no torneio chinês, repetindo uma reclamação que já havia feito durante a própria partida à beira da quadra.

Reclamação sobre as bolas divide opiniões

Segundo Alcaraz, a diferença entre as condições da estreia e da terceira rodada foi perceptível demais para ser ignorada. "Na primeira rodada, senti que a quadra estava muito rápida. Hoje não tive a mesma sensação. É estranho perceber uma diferença tão grande em apenas dois dias", afirmou, lembrando que jogou a abertura do torneio com o teto fechado, enquanto a partida contra Bergs foi disputada ao ar livre. Para o espanhol, a bola "parecia maior e um pouco mais lenta", um fator que, em sua visão, merece atenção da organização.

Bergs, autor da maior vitória da carreira, discordou publicamente. O belga lembrou que as bolas usadas em Xangai são as mesmas do torneio de Tóquio, disputado na semana anterior - competição em que Alcaraz conquistou o bicampeonato, enquanto Bergs caiu logo na estreia para o tcheco Jiri Lehecka. "As bolas são exatamente as mesmas que usamos no torneio anterior, então não acho que o problema seja esse. É verdade que, de vez em quando, havia algum quique estranho. Percebi isso até no aquecimento. Talvez um a cada dez ou vinte golpes", ponderou, destacando que, de modo geral, considera boas as condições de quadra e bola no circuito.

Autocrítica de Alcaraz

Apesar do desconforto com o material de jogo, o ex-número 1 do mundo reconheceu que a derrota também teve raízes em sua própria atuação. "Não foi uma boa partida para mim. Meu nível foi muito baixo e o dele, muito alto. Mesmo assim, achei um jogo equilibrado. Em alguns momentos importantes, não consegui jogar bem", admitiu. Cabeça de chave 2 do torneio e ainda em busca do primeiro título em Xangai, o espanhol elogiou o adversário, mas também apontou certa dose de sorte nos momentos decisivos.

As dificuldades, segundo o próprio tenista, se concentraram no retorno de saque. "Não encontrei uma boa posição para devolver o saque. Quando conseguia entrar nas trocas de bola, errava muito. Estou decepcionado porque não encontrei uma solução. Cometi erros não forçados demais", disse, traçando um retrato autocrítico de uma partida que escapou do controle nos momentos-chave.

Bergs mira sequência promissora

Atualmente na 39ª posição do ranking mundial, Bergs destacou a importância do planejamento tático para superar um adversário do calibre de Alcaraz. "Preparamos muito bem a partida, mas uma coisa é ter um plano e outra é executá-lo. Contra jogadores assim, é preciso aproveitar as oportunidades. Também é necessário um pouco de sorte, e hoje tudo isso aconteceu", explicou o belga, que folga 1,80m de altura e vem ganhando espaço no circuito ATP.

Nas oitavas de final, Bergs terá pela frente o norte-americano Tommy Paul, cabeça de chave 15, que eliminou o atual campeão do torneio, o monegasco Valentin Vacherot, por 6/4 e 6/2. Será o segundo confronto direto entre os dois, já que Paul venceu o único encontro anterior, disputado em Indian Wells neste ano. Para Alcaraz, a eliminação precoce representa um tropeço no calendário asiático e acende um sinal de alerta às vésperas da reta final da temporada.